Este foi um ano importante na história do Minas Programam. Cumprimos 10 anos de existência e passamos 2025 pensando na trajetória que construímos. Ao longo da última década, formamos centenas de meninas e mulheres em programação e temas relacionados à tecnologia, gênero e raça; tecemos muitas redes e laços entre alunas, monitoras e professoras de vários estados brasileiros; e nos articulamos com organizações e coletivos feministas do Brasil, da América Latina e do mundo.

Além de muita reflexão, foi um ano marcado pela decisão de encerrar o Instituto Minas Programam. Para nós, este encerramento de ciclo é uma celebração. Celebramos a quantidade de pessoas que passaram pelos nossos cursos ou interagiram com nosso conteúdo que estão compartilhando e multiplicando este conhecimento de forma autônoma, se tornando professoras e mentoras, criando seus próprios projetos e dialogando sobre tecnologia, gênero e raça de forma crítica, embasada e transformadora por onde passam.❤️

Nesta retrospectiva, reunimos os destaques deste ano que foi tão marcado pela realização de projetos emocionantes que celebram nosso legado.  

Um ano na sala de aula: Nossos últimos cursos de programação

Em março, demos início a uma turma do curso de Introdução à Programação do Minas Programam, com 63 meninas e mulheres, de todas as regiões do Brasil, todas autodeclaradas pretas, pardas, indígenas e asiáticas. Um grupo super especial e engajado, composto por pessoas não binárias, mulheres trans e cis, com idade entre 14 e 44 anos, que juntas passaram 4 meses estudando programação e refletindo sobre tecnologia sob uma perspectiva feminista e antirracista. Nesta edição, a carga horária do curso foi ampliada para 120 horas e foram oferecidas monitorias para acompanhamento individual das alunas, como forma de garantir que todas tivessem o suporte necessário para a conclusão do curso. Os resultados, que não teriam sido possíveis sem uma equipe de professoras e monitoras maravilhosas, foram lindos: depois do curso, 95,4 % das alunas concluintes sentem segurança para darem continuidade ao aprendizado em programação.

Foto da formatura em julho de 2025. Foto: Débora Oliveira.

Entre setembro e novembro de 2025, oferecemos um curso voltado para nossas ex-alunas, que haviam concluído nosso curso de Introdução à Programação em algum momento nos últimos anos. Foi um projeto especial, um jeito de encerrar nossa trajetória com as nossas maiores apoiadoras: nossas alunas! Chamado “Fundamentos da Programação”, o curso de 8 semanas foi idealizado pela coordenadora pedagógica Jéssica Osko em colaboração com a cofundadora Ariane Sousa Campos e a coordenadora de curso Solange Silva. Para nós, foi uma alegria oferecer este espaço para nossas ex-alunas aprofundarem seus conhecimentos em lógica da programação e desenvolverem ainda mais suas habilidades.

Foto da formatura do curso em novembro de 2025. Foto por R. Tayslan. 

Também recebemos um curso virtual básico de Google Sheets / Excel da Thaís França, ex-aluna do curso de Python do Minas Programam. O curso está disponível para nossas ex-alunas.

Pensando criticamente sobre tecnologia e poder 

Em maio, organizamos um ciclo de palestras sobre tecnologia e justiça social a partir de uma perspectiva antirracista e feminista. Com coordenação de Solange Silva, a formação gratuita foi voltada para jovens negras e indígenas de 15 a 30 anos. Semanalmente, tivemos encontros virtuais com convidadas que abordarão temas relevantes na intersecção entre tecnologia, gênero, raça e justiça social. Entre as convidadas, contamos com a fundadora e diretora do Instituto Sumaúma, Taís Oliveira; co-diretora do Instituto Minas Programam, Ester Borges; Zeilane Fernandes Conceição, do Instituto Nupef; e Alessandra Gomes, doutoranda em Computação pela UFF. 

Ao longo do ano também publicamos resenhas de livros como “Against Technoableism: Rethinking Who Needs Improvement” (em tradução livre, algo como “Contra o tecnocapacitismo: repensando quem precisa de melhorias”) da Ashley Shew, e “Artificial Unintelligence” (em tradução livre, “desinteligência artificial”), da Meredith Broussard.

Mapeando os caminhos até o ensino superior para meninas e mulheres negras, indígenas e periféricas com o projeto Daqui pra Frente 

Em 2025, o Instituto Minas Programam também promoveu o “Daqui pra Frente >>”, um programa com o objetivo de compartilhar informações e os caminhos até o ensino superior para meninas e mulheres negras, indígenas e periféricas no Brasil. Este projeto tocou num tema que sempre foi prioridade para nós: a ampliação de horizontes para meninas e mulheres brasileiras através da educação. Foram muitas atividades ao longo do ano:

1. Em uma série de publicações em nosso blog e nas redes sociais, primeiramente discutimos como a pandemia de COVID-19 trouxe novos desafios para as estudantes negras e periféricas no ensino básico. No segundo texto, abordamos como as questões sociais e econômicas criam barreiras para a continuidade dos estudos no ensino médio e superior. No terceiro, refletimos se vale a pena mesmo fazer faculdade e compreendemos que, em relação à renda, o diploma universitário é um divisor de águas no Brasil.

2. Realizamos dois encontros presenciais em São Paulo com estudantes de ensino médio para aprender sobre Projeto de vida, Estratégias metacognitivas, Ensino superior no Brasil e Histórias de vida de mulheres nas ciências e tecnologias.

3. Oferecemos o pagamento de 20 inscrições para o ENEM 2025 para estudantes negras que não conseguiram isenção da taxa.

4. Realizamos uma temporada do podcast com convidadas especiais, meninas e mulheres negras que estão criando novos mundos através da ciência, da tecnologia e da educação. Durante 11 episódios, conversamos com estudantes, professoras, pesquisadoras e cientistas de várias gerações e vários cantos do Brasil. Os episódios estão disponíveis aqui

Por fim, todas estas atividades culminaram na publicação de “Daqui pra frente: O seu guia sobre a universidade”. Este guia ilustrado contém informações valiosas sobre acesso à universidade, permanência, escolha de cursos, organização de rotina de estudos, participação em cursos preparatórios e entrevistas com cientistas e profissionais negras contemporâneas. 

Com pesquisa e texto de Gabriela Fiore e Maurício Santos de Jesus, ilustração e diagramação de Lila Cruz, o guia está disponível para download no nosso site. 

Pesquisando sobre as experiências de mulheres negras brasileiras com violência de gênero facilitada pelas  tecnologias

De abril de 2024 a abril de 2025, como parte da terceira edição da Feminist Internet Research Network (FIRN), realizamos uma pesquisa sobre os impactos da violência de gênero facilitada pela tecnologia (VGFT) nas experiências de mulheres negras brasileiras. 

Ao longo do ano, as pesquisadoras Bárbara Paes e Ester Borges trabalharam no processo de consolidar os resultados de pesquisa e publicar alguns artigos com base no projeto. 

Em abril, publicamos um artigo na GenderIT sobre o processo de pesquisa, com considerações sobre nossa metodologia e nossa posição como pesquisadoras. Falamos também das medidas (imperfeitas) que implementamos para navegar pelas dinâmicas de poder incorporadas ao processo de pesquisa e para reconhecer as participantes da pesquisa como as principais contribuintes para este trabalho. Chamado “What happens after you publish this research?”: How feminist research invites us to centre liberation, connection and care in our practice (“O que acontece depois que vocês publicaram a pesquisa?” Como pesquisa feminista nos convida a priorizar a libertação, a conexão e o cuidado), o artigo está disponível também no nosso site

Em novembro, a Bárbara e a Ester estiveram em Barcelona para o Mozilla Festival. Elas apresentaram a pesquisa em uma sessão da conferência, com colegas da Feminist Internet Research Network, Diana Bichanga e Aya El-Husseini. 

A Ester também falou da pesquisa no evento “Violências de gênero no espaço digital e caminhos de resistência”, organizado pela MariaLab. Foi um encontro dedicado ao debate sobre as violências de gênero online e as nossas estratégias de proteção enquanto coletivos e organizações. Foi uma honra acompanhar o lançamento da pesquisa da MariaLab sobre Forense Digital Feminista e as novas cartilhas de segurança digital da Maria D’ajuda.

Ainda em novembro, publicamos um resumo das principais conclusões desta pesquisa na plataforma GenderIT, conjuntamente com artigos de outros 9 grupos de pesquisadoras da FIRN. O artigo está disponível em inglês e em português

O relatório completo com todos os resultados da pesquisa deverá ser publicado no começo de 2026 pela Feminist Internet Research Network (FIRN), APC e pelo Instituto Minas Programam. Você pode se inscrever por aqui caso queira receber uma cópia da pesquisa em primeira mão. 

Celebrando 10 anos de trabalho

Seria impossível encerrar este ano sem uma celebração! Para marcar esse ciclo e celebrar tudo o que construímos juntas, realizamos uma festa em 29 de novembro, lá na Ocupação 9 de Julho, com produção da Transborda. 

Cerca de 70 pessoas que passaram por diferentes etapas do Minas Programam estiveram presentes. Ver tantas trajetórias que foram impactadas pelo nosso trabalho em um mesmo espaço nos emocionou. Eram histórias que se reconheciam, afetos que se reencontraram e novas conexões sendo criadas ali. 

Obrigada!

O Minas Programam não teria sido possível sem o trabalho e apoio de incontáveis pessoas e organizações que nos apoiaram ao longo de 2025 e dos últimos anos!

Nesta retrospectiva, queremos destacar algumas pessoas em especial:

Também agradecemos nossos financiadores e apoiadores dos projetos listados nesta retrospectiva: FREE STEM Fund, Malala Fund e APC / Feminist Internet Research Network.

Agradecemos MUITO às professoras e instrutoras que construíram nosso curso e nossas formações ao longo do ano, às nossas alunas que se dispuseram a aprender conosco, e às organizações parceiras e mulheres incríveis que toparam participar do nosso podcast!

Um abraço,
Equipe Minas Programam