Minas programam?

Quando pensamos no perfil de uma pessoa da área de exatas e tecnologia, quase sempre visualizamos um homem. Não há campos de atuação onde as mulheres estejam livres de machismo, mas no mercado de TI o predomínio masculino é latente. Esse predomínio tende a ser naturalizado culturalmente, de forma que pensemos que homens são biologicamente mais aptos para programar e mulheres mais adequadas a relações interpessoais. Mas, como é sabido, mulheres não são naturalmente inferiores aos homens em nenhuma função. Tais inferioridades (ou supostas aptidões) são construídas socialmente e limitam o escopo de atuação da mulher desde seu desenvolvimento na infância. Mães e pais não sonham que suas filhas se tornem programadoras, tampouco as meninas encontram muitas referências femininas nas áreas de exatas.

Assim, a falta de estímulo e de referências não gera motivação e acaba por compor o quadro de ausência de mulheres na tecnologia.

como vemos:

  • Dos 1.683 engenheiros da computação formados em 2010, apenas 161 eram mulheres, segundo o Inep. 9,5%
  • Dos 7.339 formados em ciências da computação no mesmo ano, 1091 eram programadoras. 14.8%
  • Em 2015, de um total de 330 ingressantes dos cursos de Computação da USP, apenas 38 eram mulheres. 11.5%
  • Dos 300 mil profissionais registrados no CREA-SP (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia de SP), apenas 49 mil são mulheres. 16.3%
  • A participação das mulheres na ciência da computação caiu de quase 37%, em meados dos anos 80, para 17% atualmente. 20%

A quantidade de mulheres nas ciências, tecnologia, engenharia e matemática afeta diretamente a maneira com que as mulheres e suas ideias são representadas. Enquanto o número de mulheres que sabe programar continuar tão pequeno, mais difícil será garantir a inclusão das nossas pautas na produção.

Então, pensando em como a programação pode ter um papel importante nas vidas das mulheres, surgiu o #MinasProgramam. O projeto vem para ajudar a desconstruir a noção de que os homens são mais aptos a programar. E vamos fazer isso compartilhando conhecimentos técnicos e políticos com mulheres! A ideia é promover um espaço de formação básica para mulheres que queiram saber mais sobre programação, mas não sabem por onde começar.

Nós já contamos com apoiadoras incríveis, conheça!

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