bodynewsbig-20120419162050-phpe6WOV3-ruthinterna2Nascida em 1936 em Porto, Portugal, Ruth Escobar é uma das notáveis personalidades do teatro brasileiro. Ruth é uma das criadoras do Teatro Popular Nacional, no qual um caminhão com palco percorria a periferia de São Paulo apresentando espetáculos gratuitos de autores brasileiros, como A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna.

dsc06359Em dezembro de 1964, inaugurou o Teatro Ruth Escobar, seu próprio espaço em São Paulo, onde se sucederam montagens revolucionárias do teatro brasileiro. A montagem de estréia foi “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, sob a direção de José Renato, configurando, desde o início, o caráter revolucionário desta casa de espetáculos.

O teatro foi marcado pela resistência política e cultural – vale ter em mente que em dezembro de 1964 estávamos no período ditatorial – e construiu momentos imprescindíveis da cultural nacional moderna, com Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda, em 1968; Cemitérios de Auto-Móveis, de Arrabal, em 1970; “Revista Henfil”, de Henfil, “Caixa de Cimento”, de Carlos Henrique Escobar e “Fábrica de Chocolate”, de Mário Prata, entre outros.

Em 1969, com a produção de O Balcão, de Jean Genet, Ruth recebe o troféu Roquette Pinto para personalidade do ano e a montagem arrebata todos os prêmios importantes. Depois de muitos altos e baixos e animosidade com a classe artística, nos anos 1980, afasta-se parcialmente do teatro e é eleita deputada estadual para duas legislaturas, as quais dedica a projetos comunitários.

Em 1987, Ruth Escobar lança Maria Ruth – Uma Autobiografia, contando parte da sua trajetória na produção cultural e sua atuação social, uma intrinsecamente vinculada a outra e perpassadas pelo inconformismo de Escobar. Ela promoveu debates em tempo de ditadura, leituras de peças proibidas com ameaças de bombas e de invasão à porta, passeatas de protesto. Tida como polêmica, a atriz e empresária tornou-se uma das personalidades mais importantes do teatro brasileiro, tendo sido empreendedora de projetos culturais comprometidos com a vanguarda artística.

Em 1997, a APETESP deu início ao processo de compra do Teatro Ruth Escobar para evitar sua perda frente a especulação imobiliária. Ainda em aberto, o possível destino do Teatro seria a transformação no Centro Cultural Ruth Escobar, que poderia funcionar conforme o objetivo primário da casa:  o de criar e acompanhar a cultura emergente em São Paulo e no mundo.

Para mais infos, veja: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa18616/ruth-escobar