Foto11.jpg1 A Pagu (Patrícia Galvão) nasceu em 1910, em São João da Boa Vista. Foi escritora, jornalista, tradutora, militante, poeta, diretora de teatro. Desde muito jovem, o comportamento da Pagu sempre desafiou os padrões do patriarcado, especialmente se considerarmos a época em que viveu. Fumava na rua, usava transparências, tinha cabelo curto e bagunçadinho. Essa conduta era considerada uma extravagância para os padrões estabelecidos por sua família conservadora.

Com 15 anos, começa a contribuir com o Brás Jornal. Aos 18 anos Pagu completa o curso na Escola Normal da Capital e então se junta ao movimento antropofágico, sob influência de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Em 1928, o poeta modernista Raul Bopp dedica um poema à Pagu, imaginando que seu nome fosse Patrícia Goulart, fazendo uma alusão às duas primeiras sílabas. Com a publicação desse poema, Pagu ganhou certa notoriedade.

pagu_colunaEm 1930, Oswald se separa de Tarsila e casa-se com Pagu, o que foi considerado um escândalo. Os dois se tornam militantes do Partido Comunista Brasileiro. Em 1931, ao participar da organização de uma greve em Santos, Pagu foi presa pelo polícia política de Vargas. Ela foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas e ao longo de sua vida, Pagu seria presa 23 vezes.

Depois de alguns anos de militância, em 1933, partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido e o filho. Em 1935, foi presa em Paris e acabou sendo repatriada para o Brasil. Separou-se definitivamente de Oswald, após muitas brigas e ciúmes. Retomou sua atividade jornalística, sendo novamente presa e torturada pelas forças da ditadura de Getúlio Vargas, ficando na cadeia por cinco anos.
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Em 1940, saiu da prisão e rompeu com o Partido Comunista. Casou-se novamente, com Geraldo Ferraz, e frequentou a Escola de Arte Dramática de São Paulo. Se mudou para Santos, onde apresentava seus espetáculos e incentivava diversos jovens talentos. Pagu foi acometida de um câncer, o que a fez viajar para Paris para se submeter a uma cirurgia, que não foi bem sucedida. Desesperada, Pagu tenta suicídio. A artista volta ao Brasil e morre em 1962.